Tenho o tempo em ausências corroídas como se fossem o tempo de me separar de mim, como se eu fosse uma vida emprestada a mim, sem a fraqueza da esperança num dia de Sol, sem a fé da escuridão. O otimismo não é fé, não é esperança, é um grão de nada. É esperança. É o Sol. Me ver com o dia, em um único despertar, no esmorecer do corpo. Cada corpo, cada ser é um amanhecer. A sombra da minha voz torna tudo divino, abre o céu em nuvens de ausências. Tropeço em nuvens de sonhos e o céu se deita em mim para me confortar com as minhas ausências. O infinito é apenas a dor sendo escutada, amparada como uma vela sempre acesa. O que falta na luz e acreditar que sua luz são todos, é de todos. Reverberar sentindo uma coisa por outra coisa, num ecoar eterno. O viver é sentir sempre a mesma coisa, pelo nada. É fazer das minhas mãos, das poesias a calma de Deus, amortecida numa saudade que reza por mim. É a natureza do ser, não apaga a natureza de Deus, a intensifica. A intensidade não é profundidade para Deus. Profundo é a ausência dar sua ausência para mim. Somos dois corpos numa única alma. A ausência se nega no que não é, no que não fez. O que a ausência pode fazer por mim mais do que já fez? Me tornando a sua ausência em momentos passados, presente e futuro. O amor não supera as ausências, faz sofrer aos poucos o nada. É o amor que nunca tive. Quem teme o amor não tem esperança de ser só. Ser só é a falta de uma nuvem noutra nuvem até nascer uma estrela das minhas mãos e eu cuidar dela com saudades de Deus.
A natureza do ser na natureza de Deus |
